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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Co-Dependência - Amor ou Maldição???


Você é um(a) Co-Dependente?

"Se você realmente ama aqueles que lhe compartilham a estrada, auxilie-os a ser livres para encontrarem a si mesmos, tal qual deseja você a independência própria para ser você, em qualquer lugar."
Francisco Candido Xavier

A definição científica de co-dependência é:  NECESSIDADE IMPERIOSA EM CONTROLAR COISAS, PESSOAS, CIRCUNSTÂNCIAS/COMPORTAMENTOS NA EXPECTATIVA DE CONTROLAR SUAS PRÓPRIAS EMOÇÕES.

   A entrega incondicional na relação amorosa desde há muito que se tornou um arquétipo universal, cantado pelos poetas, empolado nos romances e ilustrado no cinema ou no teatro em cenas dramáticas que nos comovem, tal é o nosso desejo de sermos assolados por um  sentimento amoroso tão avassalador. 
   Na realidade, a entrega sem limites ao outro tem consequências nefastas para o próprio e revela diversas fragilidades justificadas pela intensidade do sentimento amoroso. Gradualmente a pessoa anula-se na relação para poder servir os interesses da pessoa amada, funde-se com ela chegando mesmo a perder a sua própria identidade, enquanto reclama não sentir da outra parte o mesmo empenho e devoção.
   A organização da vida de alguém em torno da pessoa amada ao ponto de tornar inconcebível a sua existência sem o outro é uma forma de dependência semelhante à dependência de drogas ou álcool, cujo carácter destrutivo requer tratamento e prevenção.
   Desde o final dos anos 70 que surgiu no meio da psicoterapia o conceito de co-dependência inicialmente usado para descrever as pessoas cuja vida era afetada por alguém dependente de drogas ou álcool. Este conceito teve origem nos Alcoólicos Anónimos que organizaram grupos de auto-ajuda para apoiar os cônjuges de pessoas dependentes do álcool, os Al-Anon.
   Estas pessoas eram caracterizadas por procurarem relações com pessoas dependentes de substâncias na medida que estas suscitariam comportamentos co-dependentes. Estes comportamentos incluíam uma enorme reactividade, necessidade permanente de controle do outro, baixa auto-estima e esvaziamento emocional da pessoa co-dependente.
   Este conceito rapidamente se alargou a  pessoas que estabelecem relações em que ficam obsessivas em controlar o comportamento do outro, esquecendo-se de si próprias e do que as terá levado a agir desta forma.
   As pessoas co-dependentes sentem-se incompletas sem o parceiro(a). Têm pouco amor-próprio, são muito auto-críticas e sentem-se magoadas facilmente. Por estas razões os co-dependentes são muito reactivos às atitudes e comportamentos do outro, têm dificuldades em expressar certo tipo de sentimentos em que julgam ficar demasiado expostos ou vulneráveis. Por consequência, estas pessoas têm dificuldade em pedir ajuda, em reconhecer os seus erros e olhar para as suas feridas. Tudo porque têm medo de perder o controle. O controle sobre si próprias que é assim assegurado através do controle do outro.
   Os co-dependentes tentam reforçar a sua auto-estima ajudando os outros a resolver os seus problemas, nem que para isso tenham de comprometer a sua integridade e os seus valores. Os co-dependentes têm dificuldade em dizer que não, têm relações sexuais sem vontade, despendem demasiado tempo a dizer que tudo vai bem.
   Numa fase inicial, os co-dependentes dedicam-se a tentar “salvar o outro”, zelando quase religiosamente pelos seus interesses, tomando para si a responsabilidade das suas ações, pensando por eles, sofrendo as consequências do seu comportamento. Posteriormente, os co-dependentes zangam-se com os outros pela falta de gratidão e reconhecimento, chegando ao ponto de sentir uma raiva incontrolável sobre os outros e sobre si próprios.
   Este ciclo deixa a pessoa co-dependente ainda mais frágil porque deu tudo e afinal não mudou nada. Na verdade, a pessoa co-dependente ajuda o outro a perpetuar os seus problemas e a desresponsabilizar-se dos seus atos. Quando estas relações atingem um ponto de  ruptura, a pessoa co-dependente tende a procurar outra pessoa problemática para dar início a um novo ciclo.
   A recuperação da co-dependência inicia-se pela tomada de consciência de que a pessoa precisa centrar-se em si mesma, desprendendo-se da adição ao outro, procurando ajuda para identificar as suas vulnerabilidades e os vazios que tenta preencher através da dedicação aos outros. Quando as pessoas começam a gostar de si mesmas, a cuidar das suas feridas e a sará-las, quando aprendem a expressar os seus sentimentos e necessidades de forma adequada, as pessoas ganham noção dos seus limites e ganham perspectiva sobre si próprias.
   Quando as pessoas gostam de si mesmas vão tender a procurar pessoas que as valorizem e respeitem pelo o que elas são. O ciclo da co-dependência pode ser interrompido e desfeito quando a pessoa co-dependente compreende que a resolução do seu problema reside em si próprio. Reside em tomar responsabilidade por si, tomar conta da sua vida e assim ficar disponível para poder verdadeiramente amar.

   As perguntas abaixo servem para identificar possíveis padrões de co-dependência. Somos conscientes que o auto-diagnóstico é um assunto muito sério e por sua vez pessoal. Esperamos que sejam-lhe úteis. Respondam para si mesmos com sinceridade e se a maioria das respostas for sim, procure ajuda. São elas:

  1. Você se sente responsável por outra pessoa? Seus sentimentos, pensamentos, necessidades, ações, escolhas, vontades, bem-estar e destino?
  2. Você sente ansiedade, pena e culpa quando outras pessoas têm problemas?
  3. Você se flagra constantemente dizendo sim quando quer dizer não?
  4. Você vive tentando agradar aos outros ao invés de agradar a si mesmo?
  5. Você vive tentando provar aos outros que é bom o suficiente? Você tem medo de errar?
  6. Você vive buscando desesperadamente amor e aprovação? Você sente-se inadequado?
  7. Você tolera abusos para não perder o amor de outras pessoas?
  8. Você sente vergonha da sua própria vida?
  9. Você tem tendência de repetir relacionamentos destrutivos?
  10. Você se sente aprisionado em um relacionamento? Você tem medo de ficar só?
  11. Você tem medo de expressar suas emoções de maneira aberta, honesta e apropriada?
  12. Você acredita que se assim o fizer ninguém vai amá-lo?
  13. O que você sente sobre mudar o seu comportamento? O que impede-lhe de mudar?
  14. Você ignora os seus problemas ou finge que as circunstâncias não são tão ruins?
  15. Você vive ajudando as pessoas a viverem? Acredita que elas não sabem viver sem você?
  16. Tenta controlar eventos, situações e pessoas através da culpa, coação, ameaça, manipulação e conselhos assegurando assim que as coisas aconteçam da maneira que você acha correta?
  17. Você procura manter-se ocupado para não entrar em contato com a sua realidade?
  18. Você sente que precisa fazer alguma coisa para sentir-se aceito e amado pelos outros?
  19. Você tem dificuldade de identificar o que sente?
  20. Você tem medo de entrar em contato com seus sentimentos como raiva, solidão e vergonha?
"A sua vida lhe pertence. Dela e somente dela você terá que prestar contas. A vida alheia não está sujeita ao seu julgamento. Os erros do seu semelhante, sobre ele pesarão.  Comece o Dia Feliz!"

Como recuperar-se?  Não fuja da realidade, decida-se a olhar para onde as falhas realmente se encontram: dentro de nós mesmos.
É nossa responsabilidade fazer alguma coisa a respeito. Culpa, censuras e críticas só atrapalham, descarte-as. Se for difícil, procure ajuda.
   Os sinais de recuperação são claros:equilíbrio emocional, a pessoa deixa de reagir descontroladamente aos comportamentos de auto-destruição da pessoa-problema; aprende a dizer não quando tem que dizer não; consegue restabalecer-se do caos financeiro resultante da neurose; aprende a se defender  e a enxergar seus direitos em vez de lutar somente pelo direito dos outros; aprende a trabalhar a família de origem, ou seja, a  olhar para dentro de si mesma para descobrir as origens da sua co-dependência; aprende a estabelecer limites de trabalho; não fica perguntando porque as pessoas estão fazendo aquilo com ela; aprendem a não permitir que outras pessoas a controlem; começam a sentir vontade de viver e acreditar que há um propósito para a sua vida. Tudo isso o co-dependente assíduo vai aprendendo e se liberta desse sofrimento enorme que constitui essa síndrome.
   Para que o co-dependente consiga se libertar desse ciclo vicioso, toda ajuda será bem vinda. Desde de familia, amigos até psicologos e salas de auto-ajuda, como já foi citado acima a Al-Anon, para aqueles que são co-dependentes de dependentes de álcool e a Nar-Anon, para co-dependentes de dependentes de drogas. Alguns co-dependentes, são apenas emocionais e por isso procurar ajuda de um médico psiquiatra é uma ótima opção.

A escolha é sua.
As respostas estão dentro de você.
Tudo o que tem a fazer é analisar, ouvir e acreditar.
" O pessimista queixa-se dos ventos. "
" O otimista espera que eles mudem. "
" O realista ajusta as velas... "
( Autor Desconhecido )

   Espero que esse post, ajude a encontrar o caminho da paz. Assim como eu, a Gaby e a Elaine, éramos co-dependentes de nossos adictos. Mais no momento em que decidimos buscar ajuda e conhecer a doença, ficou muito mais fácil lidar com cada emoção. E assim, nos recuperar dia após dia. A co-dependência tem tratamento e pode nos levar a ter uma vida completamente saudável.

   Muita serenidade e paciência para aqueles que ainda estão nesse ciclo. E muita luz e paz, para aqueles que ainda não buscaram a recuperação.


"Só por hoje, escolha pensar somente em você!!!"


Um grande beijo amadinhos no coração de cada um de vocês!!!

Selena =^.^=


Um comentário:

  1. Oi, sou B. tenho 24 anos e estou casada ha um ano com um adicto nao tanto em recuperação, ele veem a um ano usando tenho recaidas bravas e outras nao tanto, lendo esses textos acabei de crer que estou vivendo uma coo-dependencia das brabas, eu frequentei a sala e me sentia muito melhor hoje nao frequento mais e assim cai no abismo, hoje me deparo uma pessoa com culpas, do de mim mesma e vergonha, abandonei trabalho, minha vida social e me pego a cada dia querendo controlar a vida do meu esposo, ele sai algumas vezes e nao volta e pra mim isso e o fim, nao tenho aceitação para isso, mais como disse lendo esses textos lembrei que devo me valorizar sem esquecer das coisas ruins que estou me permitindo viver, tento sair disso tudo mais a coodependencia nao permite, mas a partir de hoje vou pensar somente em mim aquilo que me faz bem, ocorreu meu despertar preciso decidir se é isso que quero isso pra minha vida, sou inteligente o suficiente para saber que se os dependentes tem um vazio tao grande jamais vao conseguir entender realmente o valor do amor , do gostar, do respeito, eles perdem todos sentimentos! mais lendo e lembrando que tenho que me amar e os meus atos so depende de mim mesmo nao posso modificar o proximo fico mais tranquila!

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